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Alexandre Castro

Sobre o autor:

Alexandre Castro

Acadêmico de Direito da Faculdade de Guanambi. Guanambi-Bahia.


E-Mail: alexandre.castro.egs@terra.com.br

Terror Psicológico no Ambiente de Trabalho

Quem nunca sofreu um terror psicológico no trabalho? Mesmo que de baixa intensidade? Quem nunca foi submetido a situações vexatórias por seus superiores? Tema que se propaga despercebidamente nas empresas públicas e privadas de nosso país e que permanecem ocultos diante de tantos outros problemas.

O assédio moral sempre existiu nas relações trabalhistas, porém, ganhou "enorme impulso" na década de 90, com a globalização, o aumento de competitividade e a conseqüente reorganização e reestruturação das empresas vem aumentando a pressão pelo desempenho do profissional e forçando o corte máximo de custos. Por conseqüência, muitos patrões praticam o assédio para forçar demissões sem precisar arcar com despesas trabalhistas. Tal fato foi vivenciado por diversos trabalhadores brasileiros após o furacão chamado “privatização”, o assédio moral foi usado para descartar aqueles funcionários considerados pouco produtivos, acomodados com a estabilidade de emprego.

O assédio moral caracteriza-se por ser uma conduta abusiva, de natureza psicológica, que atenta contra a dignidade psíquica, de prática repetitiva e prolongada e expõe o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, capaz de oferecer ofensas à sua personalidade, à dignidade ou à integridade psíquica, e que tenha por objetivo excluir a posição do empregado no emprego ou deteriorar o ambiente de trabalho, durante a jornada e no exercício de suas funções.

Quem não conhece alguém com mais de 40 anos que teve seu conhecimento e sua experiência desprezados pelos superiores e foi forçado, tacitamente, a se demitir, para ser substituído por alguém maisjovem (mais barato) ou por um funcionário terceirizado? O que não quer dizer que o assédio moral também não afete os mais novos. Em tempos de redução de custos e pessoal, por conta da competição exacerbada entre as empresas, os que não conseguem adequar-se às novas formas laborais, os que não contribuem para o aumento da “mais valia”, tão almejadas pelos empregadores, acabam “encurralados" a pedir demissão. Tais procedimentos, que acontece em empresas do setor público e privado predominam entre chefes inseguros, pessoal e profissionalmente despreparados para o exercício do cargo e do poder, profissionais arrogantes que mal consegue esconder o desejo de onipotência, que usa e abusa de expedientes para ocultar sua própria mediocridade. Embora este modelo de gestão é visto na óptica da maioria dos trabalhadores como normal.

Esta conduta abusiva pode acontecer por parte do empregador ou entre os próprios empregados, com a finalidade de excluir alguém indesejado do grupo, o que pode acontecer, por motivos de competição e discriminação.

Como o legislador brasileiro ainda não acordou para estes atos, o Brasil ainda não tem nenhuma lei federal que puna essa prática, temos que comemorar a crescente percepção dos juízes trabalhistas em relação aos danos que ela tem trazido aos trabalhadores.

Esse lado infausto da globalização, que tanto contribuiu para o compartilhamento de informações e de culturas, contrasta com as técnicas mais modernas de recursos humanos, que apostam em melhorias no ambiente corporativo, relações de trabalho mais equilibradas, criatividade e aproximação dos funcionários com a
identidade da empresa.

Resta torcer para que a Justiça seja cada vez mais combativa aos "patrões terroristas" e que eles percebam que um espaço de trabalho saudável, respeitando princípios constitucionais, traz mais frutos e, indubitavelmente, mais lucros.

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