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Sylvia Romano

Sobre o autor:

Sylvia Romano

Advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo Capital.


E-Mail: sylviaromano@uol.com.br

De volta à questão indígena

Na semana que passou, ao assistir a um programa jornalístico na maior emissora da televisão brasileira, mais uma vez fiquei indignada com a questão indígena no Brasil. Na matéria, um repórter visitava uma aldeia indígena, ou melhor, o que restou dela, pois a população não passava de seis índios, contando um pajé e mais cinco índias doentes, que demonstravam estar sofrendo dor e carência, pois abraçavam o jornalista, apontando aonde estava doendo.

Na mesma reportagem aparecia também um índio solitário, arredio, com medo, lançando flechas contra “os brancos”, vivendo sozinho em uma choupana de mato. Este era um pouco mais “privilegiado”, já que o Ibama lhe reservara cinco mil hectares de terra para a sua sobrevivência. Esse programa me remeteu a um artigo que escrevi há um tempo enfocando este zoológico humano que as autoridades insistem em preservar em nosso território, em prol da preservação de uma cultura que só existe na cabeça de quem deseja perpetuar a desgraça da nossa “bugraiada”, como já dizia vovó, em meados do século passado. Em qualquer país civilizado, principalmente nos Estados Unidos, a cultura indígena é preservada em museus, festivais e seja lá o que for, e a população oriunda destes povos já se encontra plenamente integrada à civilização, gozando das “benesses” que o progresso oferece, seja em termos de saúde, educação e todas as amenidades que o mundo moderno proporciona.

Por aqui a situação continua bem diferente. Repete-se no nosso País a mesma postura escravagista implantada na Austrália pelos colonizadores ingleses, que viam nos aborígenes uma sub-raça que deveria ser mantida segregada, jogada à própria sorte para que se extinguisse naturalmente, o mais rapidamente possível em prol dos interesses e da hegemonia de uma superioridade branca. Nossos índios — ou melhor, o que restou destes povos —, continuam sendo tratados como incapazes, sem acesso a nada, salvo alguns caciques que exploram madeiras, minérios e, principalmente, a desgraça de seus subordinados. Estes sim têm acesso a computadores, caminhonetes e até a aviões, graças a conivências de autoridades próximas que também participam deste “botim”. O processo de aculturação é longo e a integração dessa população não se faz de uma hora para outra. No meu entender, muitos anos se passarão para que essa parcela de brasileiros venha a se integrar à sociedade, mesmo com a implantação de um planejamento e uma política de integração séria visando torná-la produtiva e principalmente respeitada em seus direitos e deveres como qualquer cidadão. Enquanto o governo não deixar de lado sua postura protecionista e segregativa para resgatar os índios da ignorância e do atraso cultural a que foram submetidos desde a descoberta do Brasil e integrá-los à sociedade, eles continuarão morrendo, seja em suas tribos ou tentando fugir de uma realidade que já não tem razão de ser e que, quando conseguem sobreviver, acabam caindo na marginalidade por falta de condições de sobrevivência no mundo moderno. Porém, o governo continua insistindo em criar territórios dentro do nosso próprio País, que passam a ser nações dentro da nossa nação, para “proteger” essa população incapaz e sofredora.

Enquanto isso, em Brasília é montada toda uma infraestrutura para manter as coisas como estão, criando-se empregos e mais empregos para acomodar uma rede de apadrinhados políticos, pois assim ninguém perde seu emprego e nem precisa se preocupar em desenvolver um programa capaz de integrar e progredir toda uma população de genuínos brasileiros.

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