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Euripedes Brito Cunha

Sobre o autor:

Euripedes Brito Cunha

Advogado e Pós Graduado em Direito Imobiliário pela Universidade Católica do Porto - Portugal. Conselheiro Vitalício da OAB/BA; Membros dos Institutos dos advogados da Bahia e Brasileiro; Presidente do Instituto Baiano de Direito do Trabalho e Membro Honorário da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia (ALJUSBA) Salvador – Bahia.


E-Mail: ecb@britocunha.com.br

Greve e respeito ao direito alheio

A greve e o loc-aut são direitos à paralisação do trabalho, no primeiro caso, a ser exercido pelo empregado e, no segundo, pelo empregador, constituindo-se ambos como exercícios democráticos, a serem praticados num Estado Democrático de Direito, o que importa dizer, também, numa prática educada e respeito ao direito do próximo.

Diante desse breve conceito que realmente alinhavado, elaborado ao sabor do sofrimento próprio, dos colegas e dos clientes, sobretudo dos mais pobres, verifica- se que a ausência imotivada do trabalho na Justiça Obreira, chega a mostrar uma faceta não só ilegal inconstitucional e desumana, mas que pode atingir as raias de uma prática criminosa, levada a efeito justa e incompreensivelmente, na atividade mais nobre e civilizada que pode haver que é a JUSTIÇA.

E porque alcança os raios criminosos? Por ser um movimento abusivo, que poderia ser e deveria ser precedido de uma provocação junto à própria Justiça Federal, perante o respectivo tribunal, mas a prepotência assim não permite , sustentando a vontade exclusiva dos grevistas. A Justiça, ora a Justiça... A Justiça é nossa vontade, é nosso querer , e quem vai ousar enfrentar-nos? Os advogados nos temem, pois sabem que não terão (e já não têm bom atendimento, merecem desprezo e desatenção e pronto) e manifestando – se contra o absurdo movimento paredista, a coisa será pior ainda. Então morra de fome quem quiser, tendo os seus processos paralisados mesmo com dinheiro já depositado e até liberado, fechem escritórios de advocacia e vão vender banana na feira, ora essa....

Senhores, trabalho há 53 anos na Justiça do Trabalho, venho, pois, da época em que imperava o respeito mútuo e a educação, jamais se ouviu falar em revê judicial. Acho e sempre achei, que todos os trabalhadores devem ganhar bem (e sabemos , todos sabem que a justiça do trabalho é bem remunerada e deve ser mesmo), mas se os seus servidores querem mais direitos e dinheiro procurem como toda a população brasileira, a Justiça para ver seus direitos acolhidos, ou feche – se o Judiciário trabalhista.

Pergunta-se, para que está servindo o Judiciário Trabalhista? Resposta, para prender o dinheiro dos miseráveis, necessitados, atrapalhar a vida do país, ter servidões que não trabalham e ganham remuneração, ajuda de custo alimentação ajuda de custo transporte e tudo isto sem precisar trabalhar, mas só precisando atrapalhar a vida dos que trabalham, dos que acreditaram na Justiça.

Crime por não cumprirem seu dever recebendo dos cofres públicos todas as vantagens sem a necessária retribuição sem cumprir o dever de trabalhar. trabalho. Curioso e estranho que a Justiça do Trabalho obrigou os grevistas dos Correios a voltarem ao trabalho ou perderem o salário e ainda pagar os dias parados, adotando o mesmo procedimento com bancários, mas parece que os serventuários judiciais constituem uma casta superior e intocável.

Escreve alguns artigos enfocando temas exclusivamente jurídicos sobre a maldita greve, mas é chegado o momento de deixarmos a juridicidade inoperante de lado e atacarmos o problema de frente e como ele merece. Seio que de nada adiantará, mas mostra ao menos que não, abaixamos a cerviz. Em pais em que a morte, o assassinato nas ruas transformaram-se em rotina, mais um crime, menos um crime, não chama nenhuma atenção.

Não creio em nenhuma solução, a não naquela pensada há alguns anos, antes da Emenda Constitucional 45, quando a Justiça do Trabalho estava mal das pernas e próxima de ser absorvida pela Justiça Comum e , em então lutou desesperadamente para sobreviver com a ampliação de sua competência.

Conseguido o objetivo, então ora, vamos à greve, trabalhar, pra que?

Hoje inconformados com o protesto dos advogados, estes só faltaram ser agredidos fisicamente pelos prepotentes grevistas. Um absurdo, Um crime mesmo, crime de agressão.

Gente, só rezando, para quem não é religioso, não tenho conselho a dar.

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