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Gilmar Miranda Freire e Géssica Miranda Freire

Sobre o autor:

Gilmar Miranda Freire e Géssica Miranda Freire

Gilmar Miranda Freire Acadêmico de Direito pela Universidade Católica (UCSAL) e Ativista do Movimento Pró-Animal. Salvador-Bahia. Géssica Miranda Freire Presidente do Núcleo Juvenil de Estudos para o Bem Estar Animal da Associação Brasileira Terra Verde Viva. Salvador Bahia. gilmargeo@hotmail.com


E-Mail: gilmargeo@hotmail.com

Basta de hipocrisia!

No início deste ano, a indústria do rodeiotentou comover a sociedade brasileira com o fato da morte do boi Bandido, o mesmo que participou da novela global “América” – um touro bravo que representava um grande desafio a qualquer peão da região onde a novela se passava. O realce caiu sobre o fato de a organização responsável por Bandido ter realizado o enterro do animal, querendo, assim, mostrar o falso respeito que as organizações deste tipo mantém com os animais.

Não foi enfatizada, todavia, a questão de que essa exacerbação de sentimentos afetivos ao boi só surgiu num momento em que não era mais necessário nem mesmo útil, pois ele já estava morto. Por que não mostrar os tratos perversos que são dispensados à esses animais, quando estes são objetos de lucro nos mega espetáculos, tais como os rodeios, que são organizados no nosso país?

Existe um vídeo que mostra como os animais participantes dos inúmeros rodeios que acontecem no Brasil são tratados, todos eles expostos à humilhação, dor e ambientes que não são próprios da sua natureza. Essa situação configura verdadeiro crime de maus-tratos a esses animais, o que desrespeita completamente a nossa lei maior – a Constituição, a qual no inciso VII do artigo 225 impõe ao Poder Público “proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”. O referido vídeo está disponível no site da Associação Brasileira Terra Verde Viva: www.terraverdeviva.org.br.

Diante desse quadro, compete à sociedade seorganizar e mostrar que não aceita mais esses tipos de espetáculos, causadores de danos, muitas vezes irreversíveis, aos animais e que, além disso, viciam a estrutura da nossa personalidade quando nos expõe a tamanha crueldade nos impulsionando a usar de violência contra um ser que, pelas circunstâncias, é indefeso à toda covardia organizada por humanos cruéis dotados de raciocínio e insensibilidade.

Alguns desinformados podem contra-argumentar que se trata de cultura e por isso não devem ser postos em discussão. Porém, para estes, pedimos vênia para afirmar que tal discurso não passa de ecos da alienação cultivada e alimentada por essa indústria que lucra com tortura e aflição.

Cabe, ainda, salientar que o simples fato de se tratar de questão cultural não é motivo suficiente para que aceitemos humilhação, dor e morte. Se assim fosse, deveríamos retornar,então, as barbáries da Roma antiga ou readmitir a escravatura e a idéia da incapacidade eminina, afinal tais referências foram fatos que marcaram um povo em uma determinada época e em um dado espaço, se consolidando, assim, como cultura.

O que devemos perceber é que a cultura só por sê-la não se torna dotada de virtudes, visto que ela é meio de domínio, é arma de poder, por isso devemos sempre rever nossos costumes e balizar as nossas ações pela luz da ética, caso contrário retornaremos à “caverna platônica”.

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