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Vercil Rodrigues

Sobre o autor:

Vercil Rodrigues

Advogado. Graduado em História (Licenciatura); Graduado em Ciências Jurídicas (Bacharel); Pós-Graduado (Especialização) em História Regional; Pós-Graduado (Especialização) em Gestão Escolar; Pós-Graduado (Especialização) em Docência do Ensino Superior; Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus; Membro-fundador e Vice-Presidente da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL); Membro-Idealizador e Vice-Presidente da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia (ALJUSBA); Membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI); autor dos livros Breves Análises Jurídicas e Análises Cotidianas (Direitos Editora) e Diretor-fundador do jornal, revista, site e editora de livros DIREITOS (www.jornaldireitos.com.br). Itabuna – Bahia.


E-Mail: vercil@jornaldireitos.com.br

A pessoa com deficiência

Diante de uma pessoa com deficiência física ou motora, sensorial ou mental, as pessoas vivem sentimentos contraditórios: desde a repulsa até a compaixão. Tem sido assim ao longo da história. Perante os “diferentes”, as pessoas com deficiência, os que apresentam um problema de relacionamento social ou comportamental, as sociedades sempre viveram um misto de fascínio e rejeição. O grau de civilização de um povo pode ser medido pela atenção que dedica aos mais fracos, aos mais frágeis, às pessoas com deficiência. Mas como se dedicar a uma realidade ignorada e rejeitada como uma condenação?

A busca da eliminação física das pessoas com deficiência existe desde os tempos mais remotos e continua praticada hoje, tanto em contextos tribais como em “sociedades modernas”. O eugenismo, as ideias de purificação e aperfeiçoamento da espécie humana encontram defensores desde a Grécia Antiga, passando pelo nazismo, até o seio de alguns redutos da atual ciência genética. Para alguns, as pessoas com deficiência não deveriam ter direito à vida. E, apesar de proibidos no Brasil, os procedimentos de detecção de anomalias visando ao aborto têm sido tristemente assumidos por muitos casais, com ajuda de “profissionais” da área de saúde.

Queremos lembrar, também, que, mesmo que todos nascessem “perfeitos”, as deficiências e as pessoas com deficiência continuariam uma realidade social. Razões genéticas, enfermidades, pré-natais, acidentes de\e no trânsito, acidentes na concepção e no parto, não são as únicas formas de entrada no universo das deficiências. Quem vive muitos anos torna-se, progressivamente, uma pessoa com deficiência. Na meia-idade, muitos passam a usar óculos, pois se tornaram pessoas com deficiência visual.

E ser pessoa com deficiência, ter um familiar ou amigo nessa condição, não significa receber uma cruz, nem uma missão ou um castigo. É uma oportunidade para ir a si mesmo, sem ser devorado por ilusões de poder e saber.

Lembremos, ainda, que deficiência não é sinônimo de incapacidade. E que, cada vez mais, as pessoas com deficiência emergem como protagonistas de suas vidas e destinos, deixando de ser meros objetos de adornos residenciais.

Esperamos (ainda que utopicamente) que a sociedade passe a olhar as pessoas com deficiência simplesmente como ser humano.

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